Mini-resenha: Judge Dredd, The Complete Case Files Vol. 1

No mesmo ano de 1977, em que Sex Pistols com “God Save The Queen” repetia “No Future” em um regime fascista estendido no contemporâneo, Judge Dredd chegava às bancas britânicas na segunda edição da revista 2000 AD. Editada por Pat Mills e escrita por John Wagner, dois trabalhistas, e desenhada por Carlos Ezquerra, uma testemunha da ditadura franquista, Juiz Dredd era a tradução em quadrinhos do punk britânico.

Não há mais futuro. Só há uma instância de poder, e esta é o Departamento de Justiça. Os juízes são a solução célere para megacidades superpopulosas. Eles patrulham a cidade protegendo a população contra o crime, acumulando a função policial, judiciária e executora. Juiz Dredd é o mais temido e exemplar juiz de todos. Incorruptível, intransigente, incansável. À lei não cabe nuances. 

Não há mais futuro. Existem soviéticos no ano de 2100, porém eles também adotaram a mesma estrutura de Estado regida por Juízes. As máquinas são escravizadas pelos homens, porém as que se apaixonam pela liberdade humana, terminam convertidas ao nazismo.

Não há mais futuro, porém resta a ironia. O super-herói, que de moral inabalável, converte-se no guarda da esquina de um regime fascista. Da relação sadomasoquista velada entre Walter, o robô sensível e servil a Dredd, esse homem rude de couro.

Detalhe para a clareza dos traços de Brian Bolland, parecendo desenhados ontem, e emprestando realismo e elegância por vezes destoante a essa HQ de DNA punk em seus leiautes poluídos, ação frenética, diálogos sarcásticos e sensação constante de que tudo que nos é dito não é nada daquilo que nos é mostrado. Monty Python foi uma escola.

O Brasil tem muito a se reconhecer nas aventuras semanais do bom juiz.