Mini-resenha: HOSPITAL

HOSPITAL, de Ted Benoit, é uma BD incômoda atualmente. Trata do ambiente hospitalar com suas pequenas perversões e descasos como um lugar sobretudo de perdição. Quem lá entra com um pequeno problema na mão, acaba infectado por um vírus asiático (sim, tem isso em 1979!), depois tem o braço amputado por descuido médico e precisa continuar lá porque um problema se desdobra em outro. Só existe uma alternativa ao hospital: fugir dele, desesperadamente, e com sorte não morrer nessa odisseia. A sociabilidade é saudável quando os doentes são livres. Pensamento perturbador e de inúmeras implicâncias no atual contexto. Uma sequência é graficamente brilhante: o uniforme listrado, as janelas, silêncio de uma prisão em listras/barras que se confundem com a sarjeta dos quadros.

É uma obra de adeus estilístico. Aqui Benoit se despede do realismo de Jacques Tardi e Chantal Montellier e adota radicalmente em trabalhos futuros a linha clara de Hergé e Edgar P. Jacobs. A edição que li é espanhola e faz parte da colección negra da Metal Hurlant. Infelizmente é o único álbum do autor que disponho.