Carnaval, Paródias e… Batman!

O espírito do carnaval mandou perguntar: o que seria do mundo sem a paródia?  No carnaval o safado se veste de santo, o homem de mulher, o chato de divertido. O carnaval é a paródia do ideal, a subversão imaginária, a profanação risonha da seriedade casta. A paródia, por sua vez, cumpre uma tarefa importantíssima: ela nos impele a não levar tudo tão a sério e, por consequência, nos mostra que a respeito de um objeto cultural, o que está à margem às vezes define melhor o que está ao centro. Não sacou? Basta assistirmos as paródias de super-heróis. Mas antes…
…É preciso levar em conta o contexto. Hoje, os principais super-heróis (Dc e Marvel) são objetos culturais controlados por corporações bilionárias. Contudo a internet está cheia de paródias extraoficiais. Em muitas delas nós rimos, identificamos o personagem, mesmo estando ele bastante transfigurado, como numa caricatura. Por que isso acontece? Por que a identificação cultural daquele objeto ultrapassa o limite da sua formalidade, e o humor é uma das muitas reações possíveis a essa descoberta reveladora. 

Por isso que na marginalidade, na forçada de barra de uma paródia, temos uma noção mais ampla de até onde um objeto se estende na cultura. Os super-heróis são exemplares neste quesito. Não é no centro da corporação que está a essência de determinado personagem como o Batman, por exemplo (na corporação Warner está apenas o centro de posse e dinheiro). É do lado de fora, no exercício marginal de leituras, crossovers, cosplays, fanfics, vídeo-montagens ou outras formas de apropriação de um personagem que se dá sua real manifestação cultural. 
Quando tratamos de cultura, o centro está sempre fora do centro. A cultura é como um cultivo – não é a semente o que faz tudo acontecer, mas o fato de alguém ter cultivado aquela semente.

(Será que alguém está lendo esse esquenta intelectual ou já pulou logo para a folia?)

Enfim, é por tudo isso que compartilho (e torturo) diferentes pessoas com algumas paródias um tanto bizarras sobre o Batman. Assim como os quadrinhos e filmes (lugar oficial do objeto), as paródias extraoficiais são manifestações igualmente legítimas (ou até mais, já que não sofrem de maiores regulações, sendo muitas vezes selvagem e toscamente espontâneas). 
Segue agora uma pequena coletânea, onde a fantasia e o riso dão samba – mesmo na ausência de um.

The Dark Knight Kills Christmas
Essa é uma série absolutamente tosca (e franca na sua tosquice) que já conta com quatro episódios (links para o segundo, terceiro e quarto). Ver um moleque psicótico agir como o Batman é uma sensação semelhante ao ler O Cavaleiro das Trevas, mas com o humor que só a latrina do youtube pode proporcionar.

Bat Romance
Paródia do Batman com o Bad Romance da Lady Gaga. A produção é rebuscada. Lembro-me de ter visto Vingadores e pensar como os filmes de super-heróis estão em sintonia com a cafonice dos clipes da cantora. Detalhe para o uniforme do Batman do Nolan junto do batmóvel da série dos anos 60 – em nome da breguice, os dois casam perfeitamente. Sobre as meninas, não é preciso comentar…



Batman Maybe
Mais uma paródia musical na carona do último filme (e consideravelmente melhor que os surtos adolescentilóides da música original de Carly Rae Jepsen). Neste caso a piada vem principalmente pela  perspectiva do Robin, o que de certa maneira ilustra que desde 1940 até o último filme, o menino-prodígio ainda é a expressão máxima do sentimento fanboy – e o reflexo da fascinação e intransigência de muitos admiradores de Batman e super-heróis em geral. Afinal, Batman não tem bigode!



Batman Mockstars
Outra versão musical do Batman, neste pelo gangsta rap, mas fortemente vinculado aos valores yuppie. De fato cai muito bem ao homem-morcego. Mulher-Gato que o diga, pois não é o pesadelo yuppie a menina afro-americana, de classe baixa, que seduz, domina e “rouba” a fortuna do pobre ricaço? Praticamente Uma Linda Mulher do gueto enquanto filme de horror para jovens homens ricos – mas nada que umas palmadas não resolva. 



Dark Knight Rises Ending Leaked!
Vídeo que chegou a pegar alguns de surpresa. Saiu poucos dias antes do lançamento de The Dark Knight Rises. Detalhe para o cenário construído a parecer essas gravações proibidas de exibições-teste. O que Bane faz, por mais ãh.. intenso que seja, parece muito combinar com as afetações e anseios de dominação que os vilões do Batman têm por ele. Afinal, se aquelas tantas armadilhas e quebra-cabeças, que mais servem para prolongar a agonia do herói (e o êxtase dos vilões), acabam sem querer o matando, o vilões ainda vão querer se divertir depois. 



Gotham High
Versão High School do Batman. Vale pela fofura da montagem e pela percepção do quão adolescente podem ser as premissas do bat-universo.



The Lion King Rises
Este não é exatamente uma paródia cômica. Trata-se de uma montagem competente do áudio de um trailer de The Dark Knight Rises com as imagens de O Rei Leão. O bacana a perceber aqui é o quanto o mito do herói é repetitivo. Caso não tenha visto o trailer oficial do filme do Batman, é melhor assisti-lo antes aqui.



Batman Theme Song
Um clássico sacro-tosco da internet. Versão com letra da música tema de Danny Elfman de 1989, cantada pelo “próprio” Batman/Bruce Wayne que narra sua saga – e comprova sua loucura e obsessão. É curioso notar como neste vídeo e em muitos outros que fazem piadas com estes mesmos aspectos, o Batman pós-1986 (O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller) é a imagem predominante. Ainda escreverei aqui no QnS algumas hipóteses a respeito desse fenômeno, mas isso é assunto para outro texto.

Há muito mais pela internet, fiquem à vontade para sugerir suas tosquices preferidas. Por fim, um clássico nacional que dispensa apresentações.

Batima – Feira da Fruta

Existe também uma versão em quadrinhos do Batima – Feira da Fruta, feita por diversos artistas e disponível no blog Batima Hq. Baita carnaval!